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As Histórias que a Mente Conta

  • Foto do escritor: Silvia Helena
    Silvia Helena
  • há 1 dia
  • 2 min de leitura


Uma mensagem que não foi respondida vira:

“Ela está chateada comigo.”


Um olhar estranho vira:

“Fiz algo errado.”


Um silêncio vira:

“Não gostam de mim.”


Nosso cérebro tem uma característica muito curiosa: ele odeia lacunas. Quando não tem todas as informações, tende a preencher os espaços com interpretações rápidas, quase automáticas. E, muitas vezes, essas interpretações acabam se transformando em verdade dentro da nossa cabeça.


O problema é que essas histórias nem sempre são baseadas em fatos.


Na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), chamamos isso de pensamentos automáticos, interpretações rápidas que surgem diante de situações do dia a dia e que frequentemente carregam distorções cognitivas.


Entre elas, uma das mais comuns é justamente a tendência de tirar conclusões precipitadas: interpretar comportamentos, silêncios ou pequenos sinais como provas de algo negativo sobre nós ou sobre os outros.


Assim, um atraso em responder uma mensagem pode virar rejeição.

Uma expressão neutra pode virar desaprovação.

Uma conversa mais curta pode ser interpretada como desinteresse.


Perceba que, nesses casos, não estamos reagindo apenas aos acontecimentos, estamos reagindo à história que a nossa mente criou sobre eles.


E essas histórias costumam ser escritas com as tintas da ansiedade, do medo, da insegurança ou de experiências passadas. Muitas vezes, carregam marcas antigas: críticas recebidas, rejeições vividas ou expectativas internas muito rígidas.


O resultado é que o corpo reage como se aquela interpretação fosse um fato concreto. Surge tensão, preocupação, tristeza, irritação. Ou seja, criamos estresse emocional a partir de uma hipótese que pode nem ser verdadeira. Sugestão de autora, da qual tive a honra de ser aluna, que fala muito sobre criar estresse com o pensamento: Dra Marilda Lipp.


Isso não significa que nossos pensamentos sejam inúteis ou que devamos ignorá-los. Pensar é uma das ferramentas mais sofisticadas da mente humana. O ponto importante é lembrar que pensamentos não são fatos. Eles são interpretações.


Por isso, um dos exercícios mais poderosos no trabalho terapêutico é aprender a criar uma pequena distância entre o que pensamos e o que realmente sabemos.


Quando um pensamento muito negativo surge, pode ser útil fazer uma pausa e perguntar:


  • Que evidências eu realmente tenho disso?

  • Existe outra explicação possível para essa situação?

  • Estou lidando com um fato… ou com uma interpretação?


Essa simples mudança de postura já começa a enfraquecer o poder das narrativas automáticas.


Com o tempo, aprendemos algo fundamental: nossa mente continuará criando histórias, isso faz parte do funcionamento humano. Mas podemos desenvolver a habilidade de escutá-las com mais curiosidade do que certeza.


E às vezes, um grande alívio psicológico começa exatamente ali: Quando percebemos que aquilo que parecia uma verdade absoluta era apenas uma história que a mente contou.




🦋

Silvia Helena dos Santos

Psicóloga • CRP 06/80275

 
 
 

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