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Viver com TDAH

  • Foto do escritor: Silvia Helena
    Silvia Helena
  • há 4 minutos
  • 3 min de leitura

Quando se fala em TDAH, muitas pessoas ainda imaginam uma criança inquieta, que não para sentada e vive distraída na sala de aula. Mas a realidade é que o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade pode acompanhar a pessoa por toda a vida, e, na fase adulta, nem sempre é fácil reconhecê-lo.


Isso porque muitos adultos com TDAH aprenderam a compensar suas dificuldades ao longo dos anos. Criaram sistemas, listas, lembretes, alarmes e estratégias para tentar funcionar como os demais. À primeira vista, parecem organizados, responsáveis e produtivos. O que nem sempre aparece é o enorme esforço mental necessário para manter tudo funcionando.


O TDAH em adultos não se resume a esquecer compromissos ou perder objetos. Ele pode se manifestar por meio de:

* dificuldade para iniciar tarefas;

* procrastinação frequente;

* sensação constante de estar atrasado;

* esquecimento de compromissos importantes;

* dificuldade para manter a atenção em atividades pouco estimulantes;

* problemas para organizar prioridades.


Muitas vezes a pessoa sabe exatamente o que precisa fazer. O problema não está no conhecimento, mas na execução. Isso costuma gerar um sofrimento silencioso, porque quem está de fora pode interpretar essas dificuldades como preguiça, falta de disciplina ou desinteresse.


Talvez uma das consequências mais dolorosas do TDAH não esteja nos sintomas em si, mas na forma como a pessoa aprende a enxergar a si mesma. Afinal muitos adultos com TDAH cresceram ouvindo frases como: “Você é inteligente, mas não se esforça.” “Você só precisa se organizar melhor.” “Você começa tudo e não termina nada.” Ou, muito pior: “Você não tem capacidade” e “Você é burro.”


Importante ressaltar que os sintomas de TDAH aparecem sempre na infância. E com o passar dos anos, essas mensagens podem se transformar em crenças profundas sobre si mesmo. Não é raro encontrarmos pessoas que carregam sentimentos de culpa, vergonha, inadequação e baixa autoestima. Algumas passam a acreditar que são incompetentes ou incapazes, quando na verdade passaram a vida tentando lidar com dificuldades que nunca compreenderam completamente. Por isso, em muitos casos, o sofrimento emocional acaba sendo tão significativo quanto os próprios sintomas do transtorno.


Nos últimos anos, o tema ganhou mais visibilidade, o que tem ajudado muitas pessoas a buscar avaliação e tratamento. Mas é importante lembrar que diagnóstico não é rótulo e também não é sentença. Receber um diagnóstico não significa descobrir uma limitação definitiva ou encontrar uma justificativa para todos os problemas da vida.

Na verdade, o diagnóstico tem uma função muito mais importante: oferecer compreensão. Ele ajuda a responder perguntas que muitas pessoas carregam há anos:

“Por que tudo parece exigir tanto esforço?”

“Por que consigo me concentrar em algumas coisas e em outras não?”

“Por que vivo adiando tarefas mesmo querendo realizá-las?”


Quando bem compreendido, o diagnóstico não aprisiona. Ele ilumina o caminho. E existe tratamento! A boa notícia é que o TDAH possui tratamento e diversas estratégias podem ajudar a melhorar significativamente a qualidade de vida. Dependendo de cada caso, o acompanhamento pode incluir: avaliação e acompanhamento médico; uso de medicação quando indicada; psicoterapia; desenvolvimento de estratégias de organização; treinamento de habilidades de planejamento e fortalecimento da autoestima.


Se você se identificou com parte dessas características, vale lembrar que identificação não significa diagnóstico. Apenas uma avaliação adequada pode esclarecer o que está por trás dessas dificuldades. Mas uma coisa é certa: passar a vida inteira se culpando costuma ser muito mais doloroso do que buscar respostas.


Silvia Helena dos Santos

Psicóloga

CRP 80275


 
 
 

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