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A Construção da Autoestima

  • Foto do escritor: Silvia Helena
    Silvia Helena
  • 22 de set. de 2024
  • 4 min de leitura

Atualizado: 28 de out. de 2024



Ao pensar sobre o que escreveria no primeiro texto deste Blog, me deparei com uma preocupação: a de não ser muito teórica, pois se assim fosse, correria o risco de perder o interesse de muitos que me leem e que, apesar de serem pessoas instruídas e informadas, não possuem o conhecimento da ciência psicológica.


O tema para o primeiro texto seria algo do tipo “O que é Psicologia?”, ou “O que é psicoterapia, como funciona, para quem é indicada?”, enfim, questionamentos que, acredito eu, boa parte dos leitores têm mas que, certamente, podem ficar para um segundo momento. Também imagino que as pessoas estejam em busca de conhecimentos mais práticos, que se apliquem ao que vivenciam e auxiliem na resolução de alguns de seus questionamentos pessoais.


Não pretendo, através dessa análise, esgotar ou limitar qualquer assunto que seja, pois sabemos que o conhecimento em Psicologia está sempre em movimento e transformação, bem como seu objeto de estudo – o ser humano. Entretanto, falarei embasada apenas naquilo que já está estudado, comprovado e oficializado enquanto ciência.


Passemos então ao que interessa: o estudo de hoje – AUTOESTIMA.


Há uma primeira confusão com relação ao termo em si: autoestima refere-se à estima que se tem por si próprio, ao valor que se percebe em si mesmo, e não necessariamente a uma BOA autoestima. Alguns dizem que têm uma autoestima contrapondo-se ao que seria uma “baixa estima”. Autoestima em si não significa que a estima por si mesmo seja boa. Em Psicologia, falamos em autoestima boa e autoestima ruim ou baixa, a primeira querendo dizer que o indivíduo se agrada de si próprio e a segunda significando que tem problemas com relação à percepção de si.


Posso afirmar que cerca de 90% das pessoas que me procuram para atendimento psicológico referem ter algum problema com relação à autoestima. E, certamente, grande parte das pessoas que não procuram auxílio psicológico também o tem. Mas por que será que a insegurança, que é um sentimento de descontentamento consigo próprio, ou seja, uma autoestima baixa, tem acometido tão imensa parcela da sociedade? Imagino que a resposta para essa pergunta é a seguinte: isso é mais um dos efeitos colaterais dos tempos modernos. Vou explicar.


Partindo do princípio de que o comportamento é aprendido de acordo com as vivências que temos ao longo da vida e as crenças (pensamentos) que desenvolvemos e a partir das quais interpretamos a realidade, o sentimento que temos com relação a nós mesmos também é construído dentro de nós de acordo com o que vivemos. Assim fica fácil entender o motivo de as pessoas estarem tão inseguras com relação a elas próprias e até mesmo aos outros: fomos criados e introduzidos numa sociedade altamente competitiva, onde o “se dar bem” é constantemente estimulado. Impossível, portanto, não enxergar o meu próximo como adversário, alguém que essencialmente pode roubar o privilégio de que eu me destaque.


Comprova-se isso que descrevi acima observando as manifestações principais de insegurança que as pessoas apresentam, e creio que muitos dos que leem vão se identificar com algumas delas:

- Perfeccionismo: sentimento de que o que se faz e o que se produz nunca está bom o suficiente ou provavelmente não atinge a expectativa de quem fez e para quem o fez. Aí também reside o erro de, muitas vezes, tentarmos “adivinhar” o que é o melhor ou o que se espera de nós;

- Sentimento de comparação: gosto muito de um termo “comparacite”, usado pelo Dr. Arthur Freeman em “As 10 bobagens mais comuns que as pessoas inteligentes cometem” – quem tiver oportunidade, leia, é muito interessante. “Comparacite” seria uma “doença da comparação”, uma mania de se comparar com o outro em todos os sentidos estando, na grande maioria das vezes, na condição inferior.

- Sentir-se pressionado pela opinião do mundo: levar em consideração o que o mundo inteiro pensa ao nosso respeito é algo extremamente massacrante. É claro que a opinião de algumas pessoas deve ser ponderada e considerada, mas apenas daquelas pessoas cujo envolvimento afetivo é relevante, ou pessoas que tenham uma conduta admirável ao nosso ver.


Enfim, para não me estender demais, vou me deter a esses três problemas acima, dos quais teremos oportunidade de falar mais adiante. A questão é que possamos entender que nossa perspectiva acerca de nós mesmos tem muita relação com nosso interagir com o outro e com o mundo – são aspectos impossíveis de desconectar. Mas, quando nós compreendemos de que maneira isso se constrói dentro de nós e em que medida somos influenciados e vítimas de um processo sócio cultural que reza o desempenho impecável, a individualidade, a competitividade, etc, estamos prontos para começar a nos priorizar e nos olhar com um pouco mais de tolerância. Tolerância com relação ao que não consigo, ao que o outro não consegue, ao que não depende de mim, ao que não está de acordo com o que acho certo, enfim, um sentimento de compreensão com relação às dificuldades e a aquilo que não consigo controlar. Na medida em que pudermos colocar em prática essa autocompreensão, estaremos prontos para lapidar nossa autoestima – é preciso tolerar as próprias limitações para sentir-se satisfeito consigo próprio.


Espero que tenham gostado e que não tenha sido uma leitura muito técnica e cansativa. Proponho que façamos esse exercício de reduzir nossas exigências pessoais, deixar o eu-tirano um pouco de lado e aplicando um pouco de compreensão aos outros e, especialmente, a nós mesmos. Somente assim poderemos dizer que atingimos uma autoestima saudável que, vez ou outra se abala, mas que se mantém firme e integra!

 
 
 

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