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Não Existe um Único Jeito Certo

  • Foto do escritor: Silvia Helena
    Silvia Helena
  • 18 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura



Há uma revelação da vida adulta, descrita pela Dra. Marilda Lipp, que eu costumo usar muito no consultório, e que sempre provoca um certo alívio em quem escuta:


“Não existe um modo único e adequado de atingir as metas.”


Essa frase aparece no livro O Stress está Dentro de Você, organizado pela Dra. Marilda, e costuma tocar especialmente pessoas que vivem se comparando, se cobrando ou se sentindo inadequadas por não seguirem o mesmo caminho que alguém próximo, ou admirado.


Lembro de uma situação pessoal que ilustra bem isso:

Uma vez, alguém me disse que achava burrice financiar um imóvel, por causa dos juros envolvidos.

Naquele momento da minha vida, eu estava justamente finalizando o pagamento do meu apartamento, financiado em oito anos por um banco que, inclusive, nem existe mais.


Para aquela pessoa, aquele ponto de vista fazia sentido. Para mim, naquela fase, o financiamento foi a escolha possível, viável e coerente com as condições que eu tinha.


E é aí que mora um dos grandes aprendizados da vida adulta: nem todo mundo parte do mesmo lugar.

Nem todo mundo tem os mesmos recursos, o mesmo tempo, o mesmo apoio ou as mesmas prioridades.


Na Terapia Cognitivo Comportamental, observamos com frequência uma distorção cognitiva chamada pensamento dicotômico, ou pensamento “tudo ou nada”. É quando a pessoa tende a enxergar as situações apenas em extremos: certo ou errado, inteligente ou burro, sucesso ou fracasso.


Esse tipo de pensamento ignora completamente o contexto. E a vida real é feita justamente de contexto.


Quando alguém diz “isso é burrice” ou “esse é o único jeito certo”, muitas vezes está falando a partir da própria história, mas acaba transformando uma opinião pessoal em regra universal. E quando compramos essa regra, passamos a nos comparar, nos culpar e a duvidar das escolhas que, até então, faziam sentido para nós.


A imagem clássica do número que pode ser visto como 6 ou 9, dependendo de onde se olha, ilustra bem essa ideia. As duas pessoas estão olhando para a mesma coisa. Nenhuma está errada. Elas apenas ocupam lugares diferentes.


A maturidade emocional começa a aparecer quando conseguimos sustentar essa complexidade: entender que pessoas diferentes fazem escolhas diferentes, e que isso não precisa virar disputa, julgamento ou desqualificação.


Pensar diferente não é burrice.

Fazer diferente não é erro.

Discordar não precisa ser falta de respeito.


Talvez crescer seja justamente isso: aprender a caminhar no próprio ritmo, reconhecendo que existem muitos caminhos possíveis, sem a necessidade de invalidar o do outro.


Silvia Helena dos Santos

Psicóloga | CRP 06/80275 🦋

 
 
 

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