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Paixão não é Amor

  • Foto do escritor: Silvia Helena
    Silvia Helena
  • há 6 dias
  • 2 min de leitura



Paixão e amor costumam ser usados como sinônimos, mas na psicologia eles ocupam lugares muito diferentes, e entender essa diferença muda profundamente a forma como nos relacionamos.


A paixão é um estado de alta ativação emocional. Ela surge rápido, intensifica tudo e dá a sensação de urgência. Do ponto de vista neurobiológico, está associada à liberação de dopamina e noradrenalina, substâncias ligadas ao prazer, à excitação e à busca. Por isso, a paixão costuma vir acompanhada de idealização, foco excessivo no outro e uma diminuição do senso crítico. É intensa, envolvente, mas também instável.


Já o amor não nasce pronto, ele se constrói. O amor envolve tempo, convivência e repetição de escolhas. Está mais relacionado à oxitocina e à vasopressina, hormônios ligados ao apego, à confiança e à segurança emocional. Diferente da paixão, o amor tolera a realidade: as falhas, os limites, os dias comuns. Ele não depende apenas do que se sente, mas do que se faz.


Enquanto a paixão pergunta “o que eu sinto agora?”, o amor pergunta “o que eu sustento ao longo do tempo?”


Essa distinção é essencial porque muitos sofrimentos amorosos nascem da expectativa de que o amor mantenha, para sempre, a intensidade da paixão. Quando isso não acontece, surgem a frustração, a dúvida e, muitas vezes, a sensação equivocada de que algo está errado com a relação, quando, na verdade, ela apenas saiu do campo da urgência e entrou no campo do vínculo.


Paixão pode ser o início.

Amor é a permanência possível.

E reconhecer essa diferença não diminui o romance, ao contrário. Ajuda a construir relações mais conscientes, mais honestas e emocionalmente mais seguras.


Silvia Helena dos Santos | Psicóloga 🦋

 
 
 

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