top of page
Buscar

Avós: Afeto que Marca

  • Foto do escritor: Silvia Helena
    Silvia Helena
  • 2 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura

Há algo de muito especial na relação entre avós e netos. Algo que vai além da imagem doce do bolo saindo do forno, do quintal cheio de invenções e das histórias repetidas que a gente nunca se cansa de ouvir. Existe uma força afetiva nessa convivência que a psicologia confirma, e que muitas famílias só percebem anos depois: avós são parte fundamental da formação emocional das crianças.


Quando uma criança convive com seus avós, ela não recebe apenas afeto. Ela recebe continuidade, identidade e pertencimento. Avós representam a história que veio antes, a memória viva da família, aquilo que dá sentido ao “de onde eu vim”. E essa sensação de raiz, de vinculação intergeracional, é profundamente reguladora.


A psicologia do desenvolvimento, especialmente sob a luz da teoria do apego de John Bowlby, ressalta como as figuras estáveis e afetivamente disponíveis oferecem às crianças a base segura necessária para explorar o mundo com mais autonomia. O que muitas vezes não percebemos é que, em grande parte das famílias, os avós ocupam exatamente esse lugar: um colo que acolhe, um olhar que valida, um ritmo mais lento que contrasta com a correria dos pais e da rotina.


Além disso, pesquisas em psicologia familiar e neurodesenvolvimento mostram que a convivência com avós pode contribuir para:

  • Maior segurança emocional: O afeto repetido, previsível e caloroso dos avós amplia o repertório emocional da criança.

  • Construção de memórias afetivas: Estudos indicam que essas memórias se tornam marcadores internos de bem-estar e de referência emocional na vida adulta.

  • Transmissão de valores e sabedoria prática: Os avós carregam histórias, modos de ver o mundo, pequenas filosofias que atravessam gerações.

  • Regulação do estresse infantil: A presença de adultos mais pacientes e sensíveis contribui para a autorregulação da criança.

  • Sentimento de pertença familiar: Conviver com avós fortalece a noção de identidade, continuidade e legado.


E existe outro ponto: avós amam de um jeito muito único. Não é o amor responsável dos pais, carregado de tarefas, cobranças e decisões diárias. É um amor mais solto, mais observador, mais presente no tempo, porque, de certa forma, avós sabem que esse tempo não é infinito. Talvez por isso muitas lembranças de infância tenham cor de pôr do sol na casa da vó.


Como psicóloga, vejo diariamente o quanto essa convivência impacta a estrutura emocional de muitas pessoas adultas. Histórias de coragem, de doçura, de estabilidade e até de resiliência costumam ter, lá no fundo, algum vestígio da presença de um avô ou uma avó.


No fim das contas, avós não são apenas quem contam histórias. Eles viram história dentro da gente.


Silvia Helena dos Santos — Psicóloga CRP 06/80275 🦋

 
 
 

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
bottom of page