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Quando a Vida Fica Morna

  • Foto do escritor: Silvia Helena
    Silvia Helena
  • 4 de nov. de 2025
  • 1 min de leitura



Esse texto nasceu do post que compartilhei recentemente nas redes, sobre aqueles momentos em que a vida parece estável, mas sem emoção. Nem tristeza, nem crise. Apenas uma sensação de que tudo está funcionando… mas nada encanta.


Há períodos assim: o trabalho segue, a rotina se cumpre, e ainda assim sentimos uma espécie de silêncio interno. Nada dói, mas também nada vibra. É como se o coração estivesse em modo neutro.


Na psicologia, esse estado é frequentemente associado à anedonia, um empobrecimento do prazer e do interesse pelas coisas. Pode aparecer após longos ciclos de esforço, estresse ou até mesmo depois que conquistamos aquilo que buscávamos. A mente se adapta, o corpo relaxa e a emoção desacelera.


Nietzsche dizia que “quem tem um porquê enfrenta quase qualquer como”. Quando o porquê se enfraquece, perdemos a chama do sentido. A vida segue o trilho, mas sem brilho. E é aí que mora o risco de confundir estabilidade com plenitude. O bem-estar não é apenas ausência de dor; é também presença de vitalidade, curiosidade e movimento interno.


Por isso, reacender o que adormeceu não exige transformar tudo, e sim reconectar-se com pequenas paixões: aprender algo novo, mudar um trajeto, pintar, cantar, escrever, cozinhar... qualquer gesto que devolva cor ao cotidiano.


Nem sempre o vazio vem do que está errado. Às vezes, vem do que ficou morno demais. E perceber isso já é um convite para cuidar de si com mais curiosidade, presença e gentileza.


Silvia Helena dos Santos — Psicóloga CRP 06/80275

 
 
 

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